Texto de especialista previa pandemias e alertava para prevenção 15 anos atrás

Tivemos outras pandemias antes da atual. Uma delas de Sars, em 2003, que afetou o sul da China, e outra em 2005 com a gripe aviária H5N1 que se espalhou pelo mundo e teve taxas de mortalidade de até 50%. Agora, como estamos lidando com a pandemia do novo coronavírus? Foi o que a jornalista Maryn McKenna abordou em seu artigo na Revista Weird. 

Mckenna cita o artigo de Osterholm, publicado em 2005, no qual o autor da publicação comenta que pode haver falha na avaliação de prejuízos que a uma pandemia poderia trazer aos Estados Unidos e ao mundo, mas também pontua que segundo especialistas essa pandemia poderia ter sido pior, se compararmos, por exemplo, a pandemia de influenza de 1918, que matou cerca de 100 milhões de pessoas em 1 ano.

Adiciona-se que as previsões de pandemia não acontecem em uma linha do tempo previsível, por isso pode ser que outras pandemias estejam a caminho. Por esse motivo, é importante que haja uma ação rápida na análise de por que as medidas de contenção dos EUA e de países como o Brasil não foram tão efetivas. Osterholm comenta sobre seu texto de 15 anos atrás, que tem como título “Se preparando para a próxima pandemia”, onde ele dissertava que a hora de agir era naquele momento, para garantir que outra pandemia não pudesse ocorrer de forma tão brutal. Agora, Osterholm recomenda ainda que os países devem adaptar estratégias militares à estratégias de saúde, pesquisando por ameaças e suas classificações de gravidade, e montando estratégias de respostas eficientes que sejam comuns aos diferentes governos.

Complementando o autor, McKenna afirma que uma boa estratégia seria entender os diferentes comportamentos de cidades, para mapear de maneira certa o que se passa durante a pandemia. Importante também é entender onde os governos falharam em ignorar os avisos de especialistas sobre uma possível epidemia a caminho. É quase um consolo pensar que esta pandemia pode incentivar governos a investirem mais em pesquisas para controle das próximas possíveis pandemias. Ademais, é igualmente importante que federações invistam dinheiro para proteger o povo com antecedência contra novas ameaças, como sugeriu Osterholm.

Para McKenna, no entanto, o que resta é saber quanto dinheiro os governos estão dispostos a investir. A jornalista pontua que nos EUA o governo não poupa em comprar armas, jatos e veículos de transporte para o Departamento de Defesa Nacional, mas não investe igualmente na defesa contra ameaças de saúde.

Por fim, a autora enfatiza que governos deveriam tratar estrategicamente ameaças à saúde pública, aceitando-as como constantes e não como surpresas, o que leva a um olhar desde o modelo militar. A atenção que a Covid-19 nos traz deve se manter firme para quaisquer ameaças de saúde pública futuras, pois a realidade reforça, mais do que nunca, o quanto a saúde de uma população é máxima prioridade para o funcionamento do Estado.

Por Luiza Mugnol Ugarte