Pesquisador alemão visitou o Instituto D’Or, onde apresentou suas pesquisas que utilizam a neuroimagem para explorar o impacto do acidente vascular cerebral e novos tratamentos contra a doença.

O acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, é responsável por uma das maiores taxas de incapacidade e morte no mundo. Em sua palestra no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), que aconteceu no último dia 18 de outubro, o médico e neurocientista alemão Johannes Boltze apresentou estudos que contam com o auxílio da neuroimagem para virar esse jogo: novas estratégias terapêuticas estão sendo testadas, com sucesso, para diminuir a morte neuronal causada pela doença.

Boltze visitou o Brasil para participar do congresso anual da Associação Brasileira de Terapia Celular (ABTCEL), que aconteceu em São Paulo entre os dias 16 e 18 de outubro. Por lá, Boltze falou sobre a segurança nos estudos em terapia celular no AVC. Já no IDOR, ressaltou alguns de seus trabalhos que utilizam a neuroimagem para a melhor compreensão do problema. “Sabemos o quanto os métodos de imagem podem nos ajudar a entender o AVC quando o estudamos em modelos animais e em humanos”, destacou Boltze.

O pesquisador dedica grande parte de seus esforços aos modelos animais, em que é possível obter informações fidedignas sobre o que de fato acontece no cérebro nas primeiras horas após o AVC. Nesse sentido, o pesquisador vem elaborando abordagens que visam contornar o dano neural causado pela falta de oxigenação típica do derrame.

É no fenômeno conhecido como penumbra que neurocientistas enxergam a oportunidade de agir. A penumbra é um sinal radiológico de que uma parte do tecido cerebral próximo ao local do AVC isquêmico – quando um coágulo interrompe o fluxo sanguíneo cerebral – apresenta sofrimento. Estudos demonstraram que essa penumbra representa tecido cerebral que possui fluxo sanguíneo baixo, mas suficiente para manter os neurônios vivos por algumas horas.

Para o grupo de pesquisa, intervenções que busquem restabelecer o fluxo sanguíneo normal na área de penumbra seriam capazes de salvar o tecido cerebral. Assim, começaram a testar a inalação de óxido nítrico (NO), substância capaz de aumentar o diâmetro de vasos sanguíneos cerebrais, no que cientistas chamam de recanalização.

Vistas laterais do cérebro humano mostram área depenumbra (delineada em branco). Apesar de apresentarem atraso na difusão (colunas 2, 3 e 4) e baixa perfusão (coluna 5), não se converteram em lesão (coluna 6). Imagem retirada de Werneret al., 2015.

Em 2012, Boltze e colaboradores publicaram um pioneiro estudo em quetestaram, em animais, a inalação de NO para reverter a morte neural na área depenumbra. Quando administrada após o AVC isquêmico, a inalação de NO foi capazde aumentar a vascularização daquela região e diminuir o dano cerebral causadopela doença. Como consequência, melhoria da função cerebral também foiobservada. Atualmente, os primeiros estudos em humanos já começaram a serdesenvolvidos pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde Boltze fezseu pós-doutorado, e na Alemanha.

Durante sua visita ao IDOR, Boltze visitou o laboratório de pesquisa em células-tronco e o centro de imagem, onde conheceu os trabalhos desenvolvidos nas áreas de organoides cerebrais e neuroimagem por ressonância magnética. “Estou impressionado com a atmosfera do Instituto e com a qualidade dos trabalhos desenvolvidos aqui”, destacou.

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