Em parceria com a Rede D’Or e Oncologia D’Or, Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) desenvolve estudos que conectam ciência à prática médica 

O Dia Internacional da Pesquisa Clínica é comemorado em 20 de maio, data que marca o primeiro ensaio clínico documentado da medicina moderna, realizado pelo médico escocês James Lind. Dr. Lind investigou o uso de suco de limão (intervenção) para tratamento do escorbuto entre marinheiros britânicos, demonstrando sua eficácia. 

Desde a sua criação, o IDOR se mantém comprometido com o avanço científico e a promoção da saúde pública, contribuindo para soluções de problemas atuais e futuros. Com a área de Pesquisa Clínica, o Instituto busca transformar ciência em cuidado. 

Atuando em parceria com a Rede D’Or e a Oncologia D’Or, os ensaios clínicos exploram as possibilidades de tratamento para diferentes condições de saúde. Uma importante iniciativa desenvolvida nessa parceria é a Plataforma API (Assistência & Pesquisa Integradas), que envolve toda a comunidade médica da Oncologia D’Or em um novo modelo colaborativo de pesquisa, baseado em dados coletados durante o cuidado clínico dos pacientes.

Estrutura nacional e excelência na condução de estudos 

Presente em oito estados brasileiros, em um período de 7 anos, o IDOR respondeu a mais de 2.200 feasibilities, completou 175 estudos e tem hoje 224 estudos on-going envolvendo áreas como oncologia, hematologia, cardiologia, infectologia, gastroenterologia, neurologia e terapia intensiva. A estrutura e redes de atendimento integradas da Rede D’Or e da Oncologia proporcionam acesso a terapias emergentes e a práticas baseadas nas melhores evidências científicas.Em março de 2020, diante do avanço da pandemia de Covid-19, o IDOR mobilizou suas equipes multidisciplinares para investigar os efeitos do SARS-CoV-2 no organismo humano e contribuir com estratégias de prevenção e tratamento. Além disso, foram conduzidos ensaios clínicos do imunizante Oxford/AstraZeneca, além de Coronavac/Butantan e Clover, que envolveram mais de 6 mil voluntários para o desenvolvimento de vacinas eficazes. Também trabalhamos com protocolos de registro unificado de pacientes, estudos em terapia intensiva, investigações sobre distúrbios da coagulação e os impactos cardiovasculares da infecção, além do uso de inteligência artificial em exames de imagem e a utilização de modelos com organoides cerebrais para avaliação dos efeitos do vírus no cérebro humano. Em conjunto com a Zoox Smart Data, o IDOR participou do projeto Dados do Bem, que alcançou mais de 1,5 milhão de downloads e orientou a realização de mais de 250 mil testes em diferentes regiões do Brasil. A atuação do Instituto contou com parcerias estratégicas com Unifesp, AstraZeneca, Instituto Butantan, OMS (via Covax Alliance) e ainda, a Fundação Bill & Melinda Gates selecionou o IDOR para preparar centros de pesquisa clínica em vacinas em sete países da América Latina. De 2020 a 2023, foram publicadas 160 pesquisas científicas com participação do IDOR sobre a Covid-19. Esse foi um marco importante da nossa contribuição para a saúde pública global. 

“Com a realização de estudos clínicos em nossas unidades, podemos fornecer tratamentos inovadores para os nossos pacientes, além de gerar e disseminar o conhecimento entre nossos colaboradores, possibilitando um avanço da assistência com a incorporação de novas drogas ou novas tecnologias”, destaca Natalia Zerbinatti Salvador, diretora operacional do IDOR. 

Cada projeto de pesquisa clínica desenvolvido pelo IDOR é planejado com rigor técnico e ético, em conformidade com as diretrizes nacionais e internacionais de pesquisa em saúde. Todos os estudos passam pela avaliação dos Comitês de Ética em Pesquisa locais e, quando aplicável, pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), garantindo a segurança e o respeito aos participantes. 

Benefícios que ultrapassam a bancada do laboratório 

A experiência do IDOR na condução de pesquisas colaborativas e multicêntricas é reconhecida nacional e internacionalmente. Nossos pesquisadores são incentivados para o desenvolvimento de projetos de investigação translacional, conectando descobertas laboratoriais à prática clínica. Assim, promovemos não apenas o desenvolvimento de novos tratamentos, mas também a formação de conhecimento científico para a sociedade.

Para o Prof. Dr. Paulo M. Hoff, presidente da Oncologia D’Or e diretor do IDOR, os avanços em diagnóstico e tratamento do câncer já permitem que um número significativo de pacientes alcance a cura. Ele ainda ressalta que para ampliar esse impacto, é essencial investir intensamente em pesquisa, desde métodos de prevenção e diagnóstico até abordagens terapêuticas mais eficazes. “Esse é o primeiro e maior objetivo da pesquisa clínica: beneficiar diretamente as pacientes. Claro que esse benefício não necessariamente é da paciente que entrou no estudo, é um benefício para as pacientes que vão receber um tratamento melhor de algo que já foi gerado pela pesquisa anteriormente”, explica a Dra. Laura Testa, oncologista clínica da Oncologia D’Or e pesquisadora do IDOR

Um exemplo desse avanço é a aplicação do DNA tumoral circulante (ctDNA) como ferramenta de diagnóstico e monitoramento do câncer, trabalho que inclusive foi apresentado na ASCO Annual Meeting 2024, o maior evento sobre oncologia do mundo. “Nos últimos anos, a oncologia tem avançado significativamente com o uso do ctDNA, fragmentos de DNA liberados por células tumorais na corrente sanguínea, que permitem a detecção precoce da doença, o acompanhamento da resposta ao tratamento e a identificação de mutações que podem guiar terapias-alvo”, explica a Dra. Camila Venchiarutti, gerente médica de pesquisa clínica e pesquisadora do IDOR. 

O uso do ctDNA também abre espaço para abordagens mais individualizadas. “É o que chamamos de biópsia líquida. O ctDNA pode ser usado para guiar a terapêutica de forma personalizada, identificando mutações específicas do tumor e direcionando o uso de inibidores-alvo, maximizando as chances de benefício do tratamento”, conclui Camila.  

Confira também: IDOR contribui para ensaio clínico que avaliou o uso de inibidor de quinase no tratamento do Câncer de Tireoide com Mutação RET 

No IDOR, a pesquisa clínica é nossa contribuição para um futuro em que o cuidado à saúde humana seja cada vez mais eficaz, ético e acessível. Neste Dia Internacional da Pesquisa Clínica, reafirmamos nosso papel na produção de conhecimento científico, com a formação de profissionais capacitados e, sobretudo, com a melhoria da vida dos pacientes por meio dos avanços da ciência. Escrito por Manuelly Gomes
Revisado por Claudio Ferrari