A alternativa proposta é que se evite contato interpessoal com grupos em lugares fechados, além de outras posturas necessárias para uma volta segura.
Os principais meios de transmissão do novo coronavírus (Sars-CoV-2) são ter contato próximo com outras pessoas e participar de aglomerações em locais fechados. A especialista em doenças infecciosas Muge Cevik, da Universidade St. Andrews no Reino Unido, relata que “jantar em grupo ou estar em transportes públicos” é muito arriscado, já “ir ao mercado rapidamente ou cruzar com alguém enquanto você caminha ou corre”, pode ser menos perigoso.
A realização de testagem em pessoas próximas de um paciente infectado pelo Sars-CoV-2 pode ser uma estratégia para parar as cadeias de transmissão do vírus, o que foi implementado com sucesso na Coreia do Sul. O motivo do projeto bem sucedido é simples: pessoas infectadas transmitem o vírus dias antes e depois do começo dos sintomas, portanto, sabendo-se quem está infectado, pode-se implementar quarentena à essa pessoa e às que com ela convive. Facilitando assim a contenção da contaminação.
Pessoas assintomáticas sequer sabem que estão contaminando outras por até 21 dias, o que justificaria uma política de mapeamento governamental de infecção, mas até agora, no Brasil, não estamos testando em massa, nem mapeando famílias de infectados. E o maior risco de contaminação ocorre em grupos locais, a exemplo de numa simples visita à igreja, como mostrou um estudo publicado na prestigiosa Lancet. Igrejas normalmente não tem adequada ventilação, por isso se tornam um prato cheio para a contaminação. Outro estudo publicado pelo Centers for Disease Control and Prevention mostrou como uma pessoa infectada em Chicago, EUA, espalhou o vírus num funeral e em seguida numa festa de aniversário, depois um dos infectados da festa contaminou pessoas em uma cerimônia religiosa.
Pelos motivos citados, deveríamos ter um manual de como conviver durante a pandemia – e provavelmente pós-pandemia -, como sugere Julia Marcus, professora de medicina da população na Escola de Medicina de Harvard, EUA. Julia sugere algumas mudanças no novo modo de conviver socialmente, como o redesenho de espaços internos e externos, para evitar aglomerações e propiciar ventilação; também promover distanciamento físico entre as pessoas, para que possamos aos poucos voltar à rotina mitigando o risco de contágio, mas não o eliminando.
Por fim, a possível saída para aquelas pessoas que não estão no grupo de risco poderia ser o aconselhamento governamental, visto que não podemos nem devemos prender pessoas em casa contra sua vontade. Assim, o governo pode incentivar que pessoas que tem propensão a se arriscar tomem os devidos cuidados. Se quiserem ver a família e ir àquela festa, que não dividam comida ou bebida, vista máscaras e mantenham as mãos limpas. Se estiverem doentes, fiquem em casa, mas lembrem-se de que assintomáticos também podem contaminar outras pessoas.
Escrito por Luiza Mugnol Ugarte
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